segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Para entender a importância das cafeterias no mundo! (PostEspecial)


Naquela época, as casas que vendiam café eram o negócio que mais proliferava em Londres – para desgosto dos donos de pub, que acabavam vendendo menos cerveja; e do governo, que faturava com impostos sobre o álcool. Os cafés ingleses viraram a versão sóbria dos pubs. As casas ficavam lotadas o dia todo. Só que as pessoas não iam até elas exatamente para se divertir. Mas para se informar e fazer negócios. Era nos cafés que chegavam os panfletos de notícias – e onde seriam distribuídos os primeiros jornais diários do país: o The Daily Courant, de 1702, e o Evening Post, de 1706. E era dos cafés que saíam as notícias. Em outro desses jornais pioneiros, o Tatler, os títulos das seções não eram Economia, Cotidiano, Ilustrada. Eram nomes de cafés londrinos. Na seção Will’s Coffee House tinha poesia. Na St. Jame’s Coffee House , política. Entretenimento estava na White’s Chocolate. Ciência, na Grecian Coffee.
E fazia todo o sentido. Cada café acabava reunindo gente de alguma área específica. No Grecian, iam os membros da Royal Society, o primeiro instituto científico do mundo (certa vez, Isaac Newton, Edmund Halley e alguns colegas dissecaram um golfinho nas dependências do lugar). Os cientistas também ganhavam um extra dando palestras sobre novidades da tecnologia naval nos estabelecimentos onde os barões do comércio marítimo se reuniam, como o Marine Coffee, na margem norte do Tâmisa, perto da Catedral de St. Paul.
A rede de cafés acelerava a troca de conhecimentos como a internet faz hoje. Quanto mais cafés, maior a largura de banda, mais informação fluía. E haja café: em 1.663 existiam 82 casas desse tipo em Londres. Em 1700, mais de 500.34
Um exemplo desse carnaval de informações era o café de um certo Edward Lloyd, frequentado por comerciantes e donos de navios. Lloyd anotava as informações que circulavam pelas rodinhas do café, imprimia e distribuía para assinantes na forma de newsletter. Era uma agência de notícias, sem tirar nem pôr. Os negociantes que vendiam seguros para donos de navios também passaram a se reunir na Lloyd’s Coffee House para ficar mais perto da fonte de informações quentes – e saber como andavam as estatísticas de barcos afundados, por exemplo. As vendas de seguros passaram a acontecer nas mesas do lugar mesmo. Até que um dia 79 deles se juntaram para abrir uma seguradora maior e decidiram batizá-la com o nome do café. Hoje a Lloyd’s é a maior companhia de seguros do mundo.
O lugar dos negociantes de ações era o Jonathan’s Coffee House, num bequinho no centro da cidade. A cotação dos papéis ficava afixada nas paredes, e o pregão ia rolando o dia inteiro. Com o tempo, o Jonathan’s ficou pequeno, e foram abrindo mais cafés no mesmo beco para acomodar os negócios. No fim do século XVI, o lugar ficou conhecido como Exchange Alley (Beco do Comércio).
Entendeu porque Café e Informação sempre estiveram lado a lado?
Retirado do livro Crash - Uma Breve História da Economia de Alexandre Versignassi.
Em breve comentário sobre o livro. Comentário sobre o livro aqui!


Um café antigo em Londres (ilustração de 1668, fonte: Internet)

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