quarta-feira, 17 de julho de 2013

Post Especial: Coleção “E agora você decide”


Revendo o blog semanas atrás me deparei com uma pergunta no mínimo estranha: qual foi o primeiro livro que com as minhas próprias pernas me propus a ler? Ou seja, sem leitura indicada por professor, escola, papai ou mamãe. Não vale também aquela visita forçada a biblioteca ou aquele livro ganhado. Forcei para lembrar em qual momento comecei a ler por mim.
Comecei então a me lembrar de idas a biblioteca no recreio do Marista Dom Silvério. Nunca fui muito de futebol, até porque sempre fui um perna de pau (pé chato literalmente). Meu negócio era basquete ou no máximo pingue-pongue. O jeito era bater papo e arrumar outras brincadeiras com alguns colegas que também não estavam entre os fãs absolutos da paixão nacional. Como nem sempre tinha companhia disponível comecei a ir vez ou outra para a biblioteca.
Clássicos como Monteiro Lobato ou Ziraldo não entraram neste hall pois houve, de alguma forma, indicação. Quadrinhos também eu deixei de fora (pelo menos por enquanto). A coleção Vaga-lume foi indicação e não vale pois teve o apoio lá de casa.
Ao andar pela biblioteca achei uma coleção com o título “E agora você decide”. Na hora veio a duvida: como assim eu decido? Já falei um pouco sobre tomada de decisão no meu post sobre "O Caçador de Pipas". Agora eu poderia tomar decisões em um simples livro? Como era possível?




Na década de 80 a Ediouro Publicações lançou no Brasil os livros-jogos (gamebooks) “E agora você decide”, agradando muito o público infantojuvenil. São considerados uma variação dos RPGs (role-playing game ou em português "jogo de interpretação de personagens") com a diferença de tratar-se de aventura solo.
O funcionamento é bem simples. Determinado personagem e iniciado o enredo da historia o leitor é colocado como primeira pessoa na leitura. A cada página ou trecho do livro onde se tenha uma decisão importante para o desenvolvimento da historia são oferecidas opções sobre o rumo que ele deseja ter em sua aventura. Cada uma dessas escolhas direciona o leitor para outro trecho específico, devendo o leitor pular diretamente para a pagina indicada (ignorando todos os trechos intermediários e páginas entre eles).
Conforme o exemplo disponível no Wikipédia sobre o tema (aventura solo): a parte 1 pode terminar assim:
    Se quiser seguir o velho camponês para ver aonde ele vai, vá para a parte 3.
    Se preferir voltar para casa, vá para a parte 15.
    Se quiser sentar e esperar, vá para a parte 71.
Assim o livro progride sendo comum que o jogador possa "vencer" a aventura sem passar por todos os trechos. Cada escolha do jogador leva para consequências diferentes (algo bem parecido com nossas vidas!). Desta forma o livro apresenta também diferentes finais, podendo o "personagem principal" ganhar a corrida, morrer de acidente, perder e ainda assim ficar com o premio ou simplesmente acordar de um pesadelo.
O sucesso e a popularidade da coleção “E agora você decide” está no estimulo da imaginação e criatividade dos leitores jovens pois eles tornam-se os protagonistas das histórias, algo bem diferente dos livros tradicionais que narram uma historia.

Assim comecei a me interessar por leitura, não como obrigação mas como uma brincadeira em formato de jogo. Eu realmente decidia o que fazer com o protagonista da historia.

Minha geração, quase como um todo, assistiu Caverna do Dragão nas milhões de exibições reexibições dos episódios nas manhãs da Globo em nossa infância. O que pouca gente lembra é que este desenho se baseia em uma campanha de D&D (Dungeons & Dragons), um clássico RPG de fantasia medieval. Desta forma, em menor ou maior escala, você pelo menos imagina o que seria uma seção RPG.
Abaixo um episódio para lembrar desta turma.

3 comentários:

Eduardo disse...

Que legal esse post. Eu gostava muito dessa coleção, foi um super estímulo à leitura na minha infância 80's.

Claudia Adami disse...

Eu também adorava...foi um grande estímulo à leitura!!! Este final de semana lembrei da coleção durante uma conversa saudosista com minha melhor amiga, companheira de leitura.

Vitória Kettury Santos Martins kakuta disse...

Muito bom.foi um incentivo no inicio de minha leitura.

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