sábado, 10 de dezembro de 2011

LLC: 1968 - O ano que não terminou: a aventura de uma geração

Autor: Zuenir Ventura
Ano Publicação: 1988
Nota: 8





Sabe aqueles momentos em que nos pegamos imaginando como seria viver em uma outra época? Pois bem, acho que se fosse para eu viver em um outro momento, adoraria vivenciar o final da década de 60, e início da década de 70. Digo isto pelo meu gosto musical, minhas preferências literárias, meu estilo de vestir e decorar, e minha forma de pensar a vida. E sem dúvida alguma, gostaria muito de ter sido um anônimo personagem na história desta época, testemunha ocular das lutas de uma geração que ousou sonhar mais alto.

Quem me despertou o interesse por este período foi uma professora de sociologia do segundo ano. Aos 16 anos, conheci um livro que mudou o meu jeito de pensar, e influenciou inclusive na escolha da minha profissão. A Carla, minha professora, resolveu trabalhar em sala o livro "1968 - O ano que não terminou : a aventura de uma geração". Título longo e bem sugestivo. Me apaixonei por esta leitura fácil, mas cheia de detalhes, e que feliz ou infelizmente não é uma ficção. Lembro que o que mais marcou a minha experiência de leitura deste livro foi a emoção que eu sentia ao lê-lo. Era como se eu me visse entre seus personagens e enxergasse como eu agiria se estivesse vivendo aquele turbilhão histórico.

O ano de 1968 é recheado de coisas lindas, e foi marcadamente um ano repleto de manchas negras. Ironicamente, este foi o ano escolhido para ser o Ano Internacional dos Direitos Humanos pela ONU. Fato é que muito pouco se viu de respeito aos direitos humanos neste período.

Neste dia 09 de dezembro, a ONU também celebrou uma outra data interessante: o Dia Internacional Contra a Corrupção. E eu me peguei refletindo sobre o quanto de fato tem sido feito para lutar contra este câncer que dilacera a nossa sociedade. A comparação da minha geração com a de Zuenir foi inevitável. Se há uma coisa que me incomoda profundamente é a apatia de meus contemporâneos. Somos do tipo que reclama, lamenta, e ... só! Ah, como seríamos mais bem-sucedidos se tivéssemos quiçá um décimo da motivação dos jovens do passado. Eles sim tiveram que passar por maus bocados, e tiveram negados o direito mais fundamental de todos, que é a sua liberdade. Tivéssemos nós sidos os personagens daqueles eventos, temo que 1968 seria apenas mais um ano qualquer, porque seríamos incapazes de tentar se fazer ouvir.

Recomendo, portanto, a leitura deliciosa, apesar de um tanto triste, do livro de Zuenir. Que possamos aprender com ele e sua narrativa a querer lutar por algo maior. E assim de fato entender a máxima de Gandhi de "ser a mudança que queremos ver".

Pra encerrar, deixo uma charge do Amarildo que diz muito para a ocasião. Que no próximo 09/12, tenhamos todos de fato motivos para comemorar a luta, e não fatos para nos envergonhar ainda mais.

2 comentários:

Bruno Camargos (Multiweb Agência Digital) disse...

Esse livro é muittto bom! Li ele na faculdade por indicação de meu saudoso professor de Sociologia: GILGAU.

Anônimo disse...

Li esse livro para um trabalho de sociologia na Escola. É um, daqueles livros, que se bem digeridos, fazem uma revolução no leitor.

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