domingo, 20 de novembro de 2011

LLC: A Cabana

Autor: William P. Young
Ano Publicação: 2008
Nota: 7




Numa conversa amigável com alguns familiares, na tarde deste sábado, ouvi à mesa de café a ideia de que o fator segredo impulsiona-nos a querer buscar as coisas. Toda vez que algo é cercado de mistérios e segredos, os comentários a cerca disso movem as pessoas ao encontro de saciar sua curiosidade. Por vezes, as expectativas criadas geraram em torno de um fato, lugar, instituição ou livro uma fama muito maior do que aquilo que ele próprio tem a nos oferecer.

Muitas obras literárias se encontram neste turbilhão de burburinhos contra e a favor, despertando no público um desejo de leitura muito mais para saciar a sede da abelhudice do que a vontade de apreciar uma boa leitura. Este fenômeno envolveu, por exemplo, o livro "O Segredo", e foi exatamente esta a minha motivação inicial para ler o livro "A Cabana". Vários conhecidos, familiares, e muitos meios midiáticos começaram um murmurinho sobre o livro e o segredo escondido por ele. Alguns amavam a leitura, outros não continuavam até o capítulo final, e outros ainda não sabiam dizer se haviam ou não apreciado a narrativa.

"A Cabana" é uma obra intrigante em vários sentidos. É um romance que figura entre as obras de ficção e se mantém na lista de mais vendidos por 3 anos, mas poderia também estar na lista de livros religiosos e livros de autoajuda. Por quê? Bom, não vou estragar a surpresa, né?

Este livro chegou em minhas mãos através de meu irmão, que se não me engano ganhou este livro de presente no início de 2010. Após ele e sua namorada o lerem , ambos me perguntaram: "Você já leu 'A Cabana'? Não! Então você tem que ler!" E o que mais me intrigou foi o comentário seguinte, quando ao questioná-los se o livro era tão bom assim, eles me disseram: "Não posso falar!" Foi o que bastou pra eu pegar o livro e só parar na última linha!

A narrativa em si é cercada de mistérios, e se resume no encontro de um pai, após 4 anos do assassinato de sua caçulinha, com 3 personagens muito instigantes. Para uma pessoa que acredita na divindade e na espiritualidade, traz uma visão interessante de assuntos como fé, religiosidade, sofrimento e aceitação, um pouco diferente dos modelos da tradição juidaico-cristã que estamos habituados. O autor quebra alguns paradigmas e desconstrói vários arquétipos e esteriótipos, sem no entanto chocar ou trazer uma mensagem destoante. Para os incrédulos, acredito ser uma ficção investigativa com uma perspectiva diferenciada daquilo que eles estão acostumados a rebater, e que eles seguirão mais pela solução do mistério em si do que pela vontade de escutar um ponto de vista diferente.

O livro é um fenômeno mundial e já foi traduzido em mais de 40 idiomas, sendo a versão em português a segunda mais vendida no mundo. Tamanho foi o barulho abaixo do equador que culminou na vinda do autor para a Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2011. Os leitores mais tietes criaram o Projeto Missy para a difusão do texto. A obra se encontra ainda em fase de adaptação para um roteiro cinematográfico.

Eu adorei a leitura e me identifiquei com muitas das visões do autor, porém não todas. Hoje, passada a euforia dos primeiros instantes pós-leitura, vejo que se trata de uma obra literária simples, mas que pode trazer um alento para muitos que se encontram em momentos de dor e dúvidas. Recomendo a leitura a todos, quer se consideram religiosos ou não, cristãos ou não. É sempre válido questionar as nossas próprias visões e pontos de vista através do encontro com o diferente, e só temos a ganhar.

Como não consegui me decidir pela citação preferida, vou deixar este vídeo criado por um admirador da obra com algumas das frases do livro.


Um comentário:

Angel disse...

Olá amigos!
Também ganhei esse livro de presente e gostei muito. O que me marcou foi que as pessoas complicam muito a própria fé e a fé dos outros também. E, na verdade, é muito simples ter fé. bjos!

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