domingo, 30 de outubro de 2011

LLC: A Cabeça do Brasileiro

Autor: Alberto Carlos Almeida
Ano Publicação: 2007
Nota: 5

Como você enxerga o Brasil? Que situação lhe causa indignação suficiente a ponto de protestar? Qual a diferença entre certo, errado e "Jeitinho" Basileiro? Você é favorável ou contrário ao "Jeitinho"?

Estes são alguns dos questionamentos que o livro A Cabeça do Brasileiro nos faz pensar. Alberto Carlos Almeida é colunista do jornal Valor Econômico, diretor da Ipsos e professor universitário. Inspirado nos apontamentos do antropólogo Roberto DaMatta e comprovando por meio da PESB - Pesquisa Social Brasileira feita em 2002, o autor demonstra como o brasileiro pensa. Não apenas a maioria, mas também as minorias. A amostra representa a totalidade e a diversidade do povo e as diferenças entre os pensamentos entre as regiões, as idades, a escolaridade, localidade da moradia (capital ou interior) e população economicamente ativa.

Os questionamentos sobre "jeitinho" realmente me chamaram a atenção. Que no Brasil ele é amplamente instituído ninguém tem dúvida. O que não percebemos é que ele é a "porta" para a corrupção. Há uma nuvem torpe entre o certo e o errado.
Isto me lembrou de uma situação, a princípio simples, que ocorreu em 2008. Em nossa viagem de lua de mel fizemos um tour para as Serras Gaúchas e na volta uma visita a Ciudad del Este no Paraguai. Com o guia em um ônibus lotado fomos fazer pequenas compras. Pequenas por dois motivos: o primeiro era que no início do casamento, período em que é recomendado não se endividar visto a nova adequação aos gastos mensais; e o segundo era o limite de alguns dólares que poderiam ser gastos no país vizinho sem a cobrança de impostos. Ao retornarmos no fim da tarde a maioria do ônibus havia feito várias compras numa exacerbação do consumo. Thais e eu aproveitamos para visitar a parte paraguaia de Itaipu (recomendo a visita). Faltando 20 metros para a Ponte da Amizade o guia solta em alto e bom som: "Vamos fazer uma vaquinha para que o fiscal na ponte nos deixe passar sem verificar um a um no ônibus. Claro que é quem quiser." Olhamos um para o outro abismados com a cara de pau do guia e de como aquilo parecia natural. Thais foi terminantemente contra e quase estragou o dia com sua sede de justiça (ela se conteve, mas intimamente queria que as outras pessoas seguissem nosso exemplo). Em um ônibus de 36 lugares fomos o único casal que não participou da vaquinha. Encaramos algumas caras feias no decorrer da viagem de volta a Foz do Iguaçu. Engraçado como podemos parecer estranhos e as pessoas ficarem desgostosas conosco por agirmos de forma correta.

Para completar e deixar o incentivo a leitura do livro seguem trechos da entrevista do autor no programa Roda Viva sobre a obra.





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