quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LLC: Os Sonhos Não Envelhecem - Histórias do Clube da Esquina

Ano Publicação: 1999
Nota: 8


Minha formação musical é algo de que muito me orgulho e um tanto peculiar em relação às outras pessoas de minha geração. Sou filha e neta de músicos, o que não poderia resultar senão em uma pessoa extremamente musical (quando digo musical, refiro-me a uma pessoa que é movida a música, já que o talento e a habilidade para os instrumentos teriam de ser natos, o que não é o caso). E desde criança, ou melhor, desde a barriga eu escuto de tudo um pouco: as serestas da vovó Nancy, as guarânias do vovô Odon e o trombone que vovô Baltazar tocava na banda da cidade (estas em nossas memórias coletivas, infelizmente não pude viver esta fase). Mas principalemte vi, ouvi e vivi meu pai tocar violão. Quem já teve o prazer de conhecer o meu pai, sabe que além de ter um incrível bom gosto musical, ele é muito talentoso, dono de uma linda voz e compositor de belíssima canções.

Ah, que privilégio poder contar com uma trilha sonora em minha vida. Que coisa mais gostosa poder escutar melodias de Beatles, Chico, Milton, Lô, Tavito, Elis, Led, Pink Floyd, Caetano, Gonzaguinha e tantos outros vindo do cômodo ao lado. De todos estes, um dos grupos que mais me lembram meu pai, e que sei que ele também curte bastante, é o Clube da Esquina. É fácil entender sua predileção: as canções são incríveis, os acordes e melodias são fantásticos, as letras são mais que poéticas... E tudo isto junto aconteceu no cenário nacional enquanto meu pai era um jovenzinho cabeludo de topete esvoaçante que compunha músicas nas escadarias do Colégio Técnico. Tinha que rolar uma química, afinal tornariam-se companehiros fiéis de rodinhas de amigos e de tardes nas vitrolas.

O tempo passou, a vida seguiu seu rumo, e o Clube da Esquina se tornou um ícone não só para meu pai, mas também para mim e para meu irmão. E foi assim até que no dia dos pais de 2009, procurando algo para presentear o nosso progenitor, meu irmão encontrou nas prateleiras de uma livraria uma relíquia: um livro que contava a história do Clube da Esquina. Teria presente mais genial que este? Difícil foi esperar o dono do presente encerrar a leitura pra começarmos logo ler o exemplar (os três bem que queriam ter lido ao mesmo tempo!)

Os Sonhos Não Envelhecem narra a história de como o jovem Marcinho conheceu um rapaz vindo de Três Pontas, o Bituca, e de como esta amizade entre eles, seus familiares, e amigos próximos resultou naquele que pra mim é o mais expressivo movimento da música popular brasileira. É um livro de memórias de pessoas que queriam fazer arte e cultura numa época bastante delicada de nossa história, e que viveram intensamente o sonho de se tornarem um dia reconhecidos por tudo o que eles eram capazes de fazer e de produzir numa esquina qualquer na capital das Minas Gerais.

Pra quem é fã dos membros do Clube e conhece as músicas de cor, é muito bacana saber como nasceu o grupo, e como as canções foram compostas. É um livro de leitura bastante agradável e envolvente e que para os mais entusiasmados e admiradores do grupo como eu é praticamente impossível interromper o ato. Recomendo este livro a todos aqueles que curtem o Clube da Esquina, gostam de MPB, e/ou têm curiosidade de saber como nascem amizades, parcerias, letras, melodias e canções.

Aproveito a oportunidade para fazer do post desta semana um post especial em homenagem ao dia dos pais. Deixo aqui então minha homenagem ao meu querido paizinho, que pra provar que "os sonhos não envelhecem" resolveu começar uma nova carreira agora que está prestes a se aposentar, dedicando-se para a sua carreira como cantor e compositor. Convido a todos vocês a conhecer o trabalho do meu pai, Donizete Anderson, assistindo o video que segue. Visitem também seu sítio virtual, onde vocês poderão encontrar vídeos, arquivos MP3, e muito mais. Seria muito egoísmo nosso esconder um diamante deste só pra nós, né! ;)



Pra finalizar, e deixar com um gostinho de quero ler, encerro com a belíssima voz de Milton Nascimento, cantando a canção cujo trecho inspirou o título da obra que acabo de resenhar, com música de Lô e Milton, e letra de Márcio Borges (e de história intrigante e interessantíssima!)




PS: Pra quem ficou muito curioso e não aguentar esperar chegar o livro pra saber de algumas das histórias do Clube, há no site do Museu Clube da Esquina uma série de quadrinhos (HQ) contando as aventuras dos filhos de Seu Salomão e D. Maricota feitos pelo quadrinista Laudo e inspirados na narrativa de Márcio. É só clicar aqui pra ler as histórias.

PS2: Novidade quente: Os quadrinhos do Laudo viraram um livro! A Livraria da Folha publicou um exemplar contendo as histórias do Clube da Esquina em HQ. Detalhes aqui.

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