terça-feira, 30 de agosto de 2011

LLC: O Caçador de Pipas

Autor: Khaled Hosseini
Ano Publicação: 2003
Nota: 6




Pouco ou quase nada conheço sobre o Afeganistão, a história de seu povo, seus valores e sua cultura. O que sei aprendi primeiramente através da leitura de O Caçador de Pipas em 2006. A partir daí me interessei sobre a história desta região castigada por guerras intermináveis. A aceitação pelo povo do regime fundamentalista do Talibã ("apoiados" pelos EUA) faz frente à libertação do antigo regime imposto pela invasão soviética, o que significa uma melhora considerável para a época. No meio das disputas externas encontramos um preconceito enorme entre os próprios habitantes e suas etnias.


Imaginar um mundo com conflitos étnicos me parece absurdo. No entanto, para grande parte da população mundial ainda há muita diferença entre os diferentes povos e grupamentos que habitam nosso planeta. Pensando bem, não concordo o uso da palavra RAÇA para caracterizar um determinado grupo ou povo. Com o desenvolvimento da genética na segunda metade do século XX não há porque se falar em raça negra, raça ariana ou qualquer outra que não a raça humana. Biologicamente, somos todos idênticos, similares na composição física e geneticamente compatíveis. Somos todos seres humanos.

Vendo alguns estudos e pensando sobre a obra, temos uma visão política bastante clara em O Caçador de Pipas. Trata-se da política adotada pelos Afegãos (retratado pelo personagem Hassan que tem etnia Hazara) e pelos Americanos (retratado pelo personagem Amir no momento em que ao invés de o defender, apenas assiste o seu amigo Hassan ser violentado).

Acho que o grande exemplo do livro (e meu personagem favorito) é o de Baba, o pai de Amir. Seu discurso sobre o pecado (no sentido de fazer algo errado) e de como mentir é uma forma de roubar a verdade me chamou muito a atenção. Este é meu trecho favorito da obra:

"Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça [...]"

Fiel a seus princípios, Baba nunca pestanejou em tomar decisões (ainda que no desenrolar do enredo percebemo-no cair em contradição com o trecho acima ao vê-lo faltar com a verdade).
No caso da tomada de decisão ele se assemelha muito à figura do meu pai. O maior ensinamento do meu pai aos filhos é “você tem que tomar decisões”. Realmente, não importa se nossas ações serão positivas, se machucarão alguém ou mesmo se permaneceremos omissos, em todo momento cada um de nós está sempre tomando decisões em sua vida.

Além de recomendar o livro, deixo o trailer do filme homônimo. Como sempre, o livro é mais rico em detalhes e nos deixa livres em imaginação.


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