quarta-feira, 20 de julho de 2011

LLC: O Clube do Filme

Ano Publicação:2007
Nota: 7


Em meu círculo pessoal de amizades e familiares, vejo papais e mamães constantemente se perguntando como agir na árdua e importante tarefa de educar seus pimpolhos. O escritor português José Saramago, em sua imensa sabedoria, certa vez disse que ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente.” Eu e Matheus ainda não temos a nossa prole, mas como educadores sempre discutimos sobre transmissão de valores, sobre como melhor educar um indivíduo, enfim, sobre como auxiliar na formação de homens de bem. A tarefa não nos parece nada fácil.

Para alguns pais, porém, o desafio parece se mostrar ainda mais enigmático. Assim foi para David Gilmour, crítico canadense que apesar de nome homônimo, não tem nada a ver com o roqueiro progressivo do Pink Floyd. David viu seu filho adolescente Jesse enfrentar sérios problemas de auto-estima e identidade ao não se adequar ao modelo tradicional de educação formal, e tomou uma medida radical: sugeriu que o jovem abandonasse a escola. Isto mesmo, foi o pai quem sugeriu ao filho o fim do suplício estudantil. A proposta, pra lá de tentadora, mostrou-se porém misteriosa quando o pai apresentou a sua contra-partida, a de que ambos deveriam, juntos, assistir três filmes por semana, e em seguida discutir sobre o que viram. A ideia deu certo e Gilmour garantiu assim que a palavra fracasso saísse de vez da vida escolar de seu filho, sem no entanto deixar de lado algum tipo de instrução. Mais do que educação formal, vemos durante o desenrolar do enredo o quanto esta experiência foi rica para estreitar os laços entre pai e filho, justamente numa fase em que para a maioria das famílias é comum haver um certo afastamento entre estes membros. Gilmour aproveitou ao máximo destes preciosos momentos para ensinar seu filho em como vencer na escola da vida.

O livro me surpreendeu duplamente. Primeiramente, por minha formação e profissão, já que jamais eu me veria (e até hoje não consigo me ver) numa situação a estimular um pai de aluno, ou amigo a fazer alguma experiência semelhante. É interessante quebrar alguns paradigmas e perceber que às vezes as coisas podem funcionar mesmo quando elas acontecem em padrões diferenciados. Em segundo lugar, todo o texto exala a sétima arte, e como cinéfila assumida e amante de filmes de todos os gêneros, é uma delícia ler sobre os filmes que eu tanto gosto, saber algumas curiosidades sobre alguns títulos, e ainda me interessar por outros que não tive a oportunidade de assistir.

É uma leitura fácil, tranquila, em especial para aqueles que gostam de cinema e/ou estão de alguma forma ligados a educação de jovens e adolescentes (pais, educadores, líderes de grupo de jovens). Um bom livro pra um fim de semana ou um feriado, uma história real para fazer-nos refletir e re-pensar nossas ideias.

Minha frase favorita é quando Jesse, após o término conturbado com uma namorada, diz ao pai que não gostava de ir ao cinema com ela, e este, sabiamente, lhe responde: "Não dá pra ficar com uma mulher com quem não pode ir ao cinema." E é verdade... já imaginou que triste seria um companheiro com o qual a gente não curta passar algumas horinhas no escurinho do cinema? Ainda bem que o meu é parceiro pra todas as horas, até pra telona!

Vou terminar este post deixando uma música que coincidentemente ficou conhecida pela fama do outro David Gilmour (o inglês), da banda Pink Floyd. Acho que a letra é uma bela metáfora pra história de Jesse e David (o pai canadense).





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