domingo, 10 de julho de 2011

LLC: Comprometida

Autor: Elizabeth Gilbert
Ano Publicação: 2010
Nota: 8



No post anterior eu falei sobre o hit Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert. Uma das coisas que mencionei era o fato da sua classificação polêmica, já que as editoras e críticos insistem em o chamar de Chick Lit. De fato, por mais conto de fadas que a narrativa seja, com direito a “..e viveram felizes para sempre” no final, a história não é uma ficção (apesar de, obviamente, a autora ter modificado alguns eventos da sua narrativa para se preservar e ou preservar a outros), e aquele não era o fim. E quem nunca quis saber o que acontece com a Cinderella depois do baile? Será que ela e o Príncipe realmente viveram felizes para sempre? E Liz e Felipe? (eu não consigo chamá-la de Elizabeth... depois de dois livros em 1a pessoa, com ela mesma se chamando de Liz!). Como será que eles conseguiram conciliar a vida a dois vivendo a centenas de milhares de kilômetros de distância um do outro?

O sucesso do livro anterior foi tamanho que as expeculações pelo novo livro da Liz eram enormes. Seria este novo projeto uma retomada ao seu antigo estilo, romances ficcionais? Estaria ela disposta a falar novamente sobre sua vida pessoal, e contar a quantas ia seu romance com o brasileiro? Enquanto o mundo devorava seu best seller, Liz e Felipe viviam um problemão, e é ai que surgiu a inspiração para sua nova obra: Comprometida.

Liz e Felipe se conheceram após ambos passarem por divórcios turbulentos. Eles acreditavam que o motivo de seus relacionamentos anteriores não ter funcionado era o casamento, esta instituição ‘falida’ que todos tanto falam, e assim fizeram um pacto para juntos viverem um relacionamento sem rótulos. Em outras palavras, estavam juntos, viviam juntos, porém não se intitulavam marido e mulher. Pois bem, acontece que Felipe era um brasileiro naturalizado australiano (por ter se casado com uma, anos atrás) que vivia na Indonésia, e que estava morando de tempos em tempos com uma americana. Já deu pra perceber que a imigração americana rapidinho acabou com a festa dos dois, né? Num belo dia, ao entrar nos EUA, Felipe recebeu a notícia que não era mais bem-vindo naquele país. Sua única alternativa: casar-se, de papel passado, com a sua amada Liz.

E é ai que começa Comprometida. O livro é um estudo histórico e filosófico sobre a instituição do casamento, de como o homem, a mulher e a sociedade entendem questões como fidelidade, liberdade, comprometimento, expectativas, autonomia, subserviência, família, gênero, sexualidade, subversão, divórcio, etc. dentro do matrimônio. Trata-se de uma pesquisa detalhada realizada por Liz, a fim de analisar sistematicamente os prós e os contras do casamento. Ao mesmo tempo, a autora vai nos dando algumas pinceladas auto-biográficas, nos atualizando de sua vida amorosa com Felipe, e de como eles conseguiram fazer as pazes com a ideia de se casar novamente.

Comprometida é uma excelente leitura para todos aqueles que tem a vivência do casamento, ou que estão prestes a entrar neste universo. É um excelente curso de noivos, ou ainda, um manual para aqueles que estejam interessados em reavivar e entender melhor a vida a dois. Por ter muitas descrições históricas, o livro poderia se tornar um pouco enfadonho para quem não é adepto das visitas ao passado. Mas Liz conseguiu deixá-lo mais leve, pois organizou o livro por temáticas, e intercalou suas pesquisas com capítulos de sua ‘novela mexicana’, saciando assim a curiosidade daqueles que querem saber mais sobre sua vida, e mantendo o suspense para segurar-nos na leitura.

Li este livro no início de 2011, no final do meu 3o ano de casada. Três anos é tempo suficiente para conhecer quem está do nosso lado, saber admirar suas qualidades, reconhecer suas falhas, e ter certeza de nossa escolha. De fato, estar casada é uma das melhores coisas que me aconteceu. Como qualquer relacionamento, por vezes temos alguns atritos. Estamos ambos (sim, eu também) longe de sermos perfeitos, mas nos amamos a ponto de querermos acertar mais que errar, e caminhar sempre juntos. E é disto que Comprometida fala, da responsabilidade que ambos têm para que tudo dê certo. E é isto que quis dizer no post anterior, ao falar sobre a consciência do fracasso. Saber que somos falíveis, principalmente quando se trata de relacionamentos, é uma das coisas mais importantes. Somente reconhecendo as nossas falhas podemos trabalhar para sermos melhores, e assim também podemos entender melhor as falhas do outro. E é esta minha citação preferida de Comprometida, quando Felipe diz para Liz: “As pessoas sempre se apaixonam com os aspectos mais perfeitos da personalidade do outro. Mas esse não é o truque. O truque realmente inteligente é este: Você pode aceitar as suas falhas? Você pode olhar para os defeitos do seu parceiro de forma honesta e dizer, 'Eu posso resolver isso. Eu posso fazer algo a partir disso.’? Porque as coisas boas sempre estarão lá, e sempre serão belas e brilhantes, mas a porcaria debaixo é o que pode arruinar você.” (tradução livre) Ou seja, é ir além do “Eu te amo, apesar de...”. É estar pronto para o “Eu te amo, inclusive...”. Ou, nas palavras de Felipe em um outro trecho do livro, ‘pacote completo’!

A chave para um relacionamento pleno é a harmonia e a comunhão de ideias, e para isto, é preciso estar disposto a aceitar as diferenças, para que então vocês possam renovar os votos constantemente. Acho que este é o segredo. É preciso casar-se de novo todos os dias...

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