domingo, 10 de julho de 2011

LLC: Comer, Rezar, Amar

Autor: Elizabeth Gilbert
Ano Publicação: 2006
Nota: 8




Como alguns de vocês sabem, sou formada em Letras. Na faculdade, passei alguns semestres me dedicando a literatura, e lá fui apresentada a vários autores fantásticos. Na sala de aula, termos como
alta-literatura e clássicos eram recorrentes nas discussões. De fato, não há como negar a importância e a beleza dessas obras tidas por tantos como num patamar diferenciado. Quem já leu um Guimarães Rosa ou um Marcel Proust sabe do que eu estou falando. Mas algo que me incomodava nas rodinhas da faculdade era o falso moralismo literário. Sabe aquela coisa de se sentir superior porque lê T. S Eliot ou Baudelaire na original? Pois bem, hoje posso afirmar sem medo que isto tudo é uma grande bobagem... Os meus amigos da Letras podem me execrar por isto, mas a verdade é que, em matéria de leitura, nada me diverte mais do que um exemplar de Chick Lit.

Pra quem não sabe, Chick Lit é o termo dado para estes romances água com açúcar escritos sobre mulheres, para mulheres e normalmente por mulheres. Em outras palavras, "Chick lit é um gênero ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas. Chick-Lits são romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa." Ou seja, para os intelectualóides de plantão, algo como as Janes Austens do século XXI. E para os leigos, nada mais nada menos do que um belo roteiro para uma comédia romântica. Tanto que vários destes livros já foram parar na telona, como O Diário de Bridget Jones (Helen Fielding) e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Sophie Kinsella).

E a grande responsável por me abrir novamente a mente para este universo delicioso da literatura e quebrar meus paradigmas (e preconceitos) literários foi Elizabeth Gilbert. O que é uma grande ironia, porque Liz não é uma autora de Chick Lit. Seu maior sucesso Comer, Rezar, Amar foi assim enquadrado pelas resenhas literárias e pelo mercado editorial, e graças a este “engano” comecei a procurar outras obras do gênero e pude me permitir algumas deliciosas leituras.

Comer, Rezar, Amar é um diário de bordo, um relato de um ano sabático no qual a autora permite-se viver por 4 meses em três países diferentes em busca de sua identidade: na Itália, vive a redescoberta do que lhe dá prazer no mundo; na Índia, o encontro com a sua espiritualidade; e por fim na Indonésia, a procura pelo equilíbrio. O livro foi uma febre entre mulheres de todas idades desde o seu lançamento, e já chegou a Hollywood, numa versão super light (como toda versão de livro) estrelando Julia Roberts.

O legal é que o li numa fase que me sentia mais mulher e menos menina. Coincidiu com a época que estava pensando em questões como casamento, carreira, essas coisas de gente grande, e assim pude me identificar com vários dos questionamentos daquela mulher. É engraçado como pode alguém prestes a se casar gostar de um livro que começa com um divórcio, mas creio que é preciso se ter bem claro todos os níveis de um relacionamento ao entrar em um. E saber que as coisas as vezes podem não ser perfeitas é algo que não podemos perder de vista, se de fato quisermos evitar o seu fracasso. (para entender melhor estas ideias, leia meu próximo post).

Muitas leitoras (ainda não conheci leitorEs da obra) dizem não ter conseguido dar continuidade a leitura da obra após começarem a 2a parte (Índia). Tenho refletido muito sobre isto, e creio que isto não se deva a monotonia da narrativa, como algumas argumentam algumas. O fato é que se em Roma ela se permite sem culpa devorar uma pizza ou um sorvete, ou se em Bali ela vive um romance latino, ai ela está realizando o desejo de toda mulher. Quem não gostaria de se perder em uma destas tentações? Na Índia, porém, Liz parte pra uma tarefa mais árdua e um tanto desvalorizada pela cultura atual: o encontro com Deus. Para mim, é aí que reside a dificuldade de leitura. A busca pela própria identidade é algo muito doloroso, e essencialmente uma tarefa íntima. Liz acredita (e eu também) que não é possível compreender esta identidade sem buscar uma espiritualidade, isto é, uma harmonia com o Criador, seja lá como você O veja, O chame, O entenda. E falar de Deus é chato, porque incomoda. Mas isto seria tema para uma outra discussão.

A minha frase favorita na narrativa não é bem uma frase, mas uma ideia. Em sua busca por equilíbrio, Liz tenta encontrar a sua palavra, ou seja, a palavra que lhe defina. Algo como Sexo para Roma, Poder para o Vaticano, Conquistar para Nova Iorque. Achei esta ideia genial, definir-se em uma palavra, e desde então estou a procura da minha. E você, já sabe “qual é a sua palavra?”



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