sábado, 7 de julho de 2018

O que dizer sobre casamento, felicidade e outros temas...



Dizem que casamento é um monte de merda com uma casquinha de chocolate. Realmente entendo que é uma analogia correta. O monte de merda diz respeito a tudo que nós fazemos em qualquer relacionamento com nossas gigantescas EXPECTATIVAS descabidas, desproporcionais e injustas. O chocolate são os olhares, o apoio no momento da necessidade, a cumplicidade e tudo aquilo que nos define como casal (amor não romântico, intimidade, beijos, sexo, pagar contas e cuidados com o outro).

Para começar a história das expectativas sem noção, colocamos no outro a responsabilidade por nossa felicidade mesmo sem saber direito o que é ser feliz. Não satisfeitos, tomamos também a felicidade do cônjuge como nossa obrigação. Queremos e nos sentimos bem achando que podemos fazer o companheiro feliz e que teremos o mesmo em contrapartida. Uma pena que ninguém (casais, filhos, pais, mães, avós, irmãos, etc.) faz o outro feliz. Trata-se de algo do individuo sendo um conjunto de momentos e nunca uma constância. Fôssemos felizes todo tempo, não passaríamos por lutos, sofrimentos, dores, desgostos ou tristezas.

Adoramos terceirizar tudo, tirando de nós a responsabilidade de nossos atos. Achamos que a decisão alheia sempre é melhor que a nossa e que isto de alguma forma nos liberta, uma vez que tira um enorme peso dos nossos ombros: escolhas X consequências. Apesar de confortável, esquecemos que não escolher, por si só, já é uma escolha. Condicionando nossa felicidade ao companheiro, nos subjugamos criando dependência emocional (“só serei feliz/completo se o outro me fizer feliz”).

Há alguns conceitos muito variados sobre a tal felicidade. Tem quem entenda que ela é inútil pois seu valor está em si mesma, não sendo útil para nenhuma outra coisa. Em outro conceito ela seria a jornada e não um lugar ou ponto fixo a se conquistar. Mas a definição que mais me parece plausível é que a felicidade está em resolver problemas. Nada nos satisfaz mais e nos deixa tão contentes como solucionar alguma coisa. E problemas todo mundo tem aos montes e cada um cuida dos seus (ainda que muita gente se sinta no direito de dar aquele “pitaco” nas dificuldades alheias cheias de respostas prontas e julgamentos). Até podemos auxiliar na solução de problemas dos outros, no entanto eles não são nossos. Essa mudança na percepção nos tira a capa do Super Homem ou o laço da Mulher Maravilha. Lembrar que somos apenas seres humanos nos iguala e nos traz para a realidade de que não somos especiais, apesar de únicos. Somos singulares!

Também temos a expectativa de um amor idealizado. Ao relembrar o clássico “Romeo e Julieta” há muito mais uma crítica ao chamado “amor romântico” que uma defesa plena deste. Dois jovens inconsequentes se casam escondidos e se suicidam por não poderem ficar juntos (faz sentido isto produção?). O clássico de Shakespeare parece muito mais surto psicótico ou uso desenfreado de entorpecentes pesados do que algo realmente saudável e/ou natural. Cega as imperfeições (nossas e do outro) chegando a causar alienação.


Fomos levados a acreditar em contos de fadas e seus finais felizes com o simples ato de se casar no tal amor romântico. O mundo mágico da Disney é sensacional para a imaginação das crianças e nada mais do que isto. Ninguém conta honestamente que no casamento “comer um quilo de sal junto” é demasiadamente salgado, forte e difícil. Fato é que a magia não existe e tomamos nossas escolhas por opções próprias. Cabe a nós arcar com as consequências dos nossos atos. Somos, assim, protagonistas do que queremos ou deixamos de querer.

Criar expectativas é o real problema. Podemos apenas ficar no presente com o que temos de concreto e verdadeiro, uma vez que não sabemos se estaremos vivos no próximo minuto. No entanto, queremos imaginar como serão as coisas para frente, ignorando a existência de um milhão de possibilidades desconhecidas. Sofremos com incontáveis “e se...” nas nossas mentes imediatistas, sem estar no único local possível: o agora. A merda da expectativa é que queremos o que não temos, imaginamos como será algo que não vivenciamos e não nos colocamos como protagonistas pensando em como o outro deve agir ou se sentir. Resumindo: fugimos da realidade.

Com tanta merda, por que então permanecer nesta máxima do casamento? Bem, já dizia a fala icônica do filme Goonies: "Sloth quer chocolate!". E não é qualquer chocolate meu caro, pois trata-se do melhor, único e verdadeiro chocolate do mundo! Os olhares, o apoio e a cumplicidade só vêm com uma admiração mútua que é raro de se ter e que leva tempo para ser construída e conquistada. Começa assim este tal amor não romântico, que como dito na música da banda Velhas Virgens: “é outra coisa!”.

Este amor que falamos não é algo que temos por gratidão pela pessoa estar lá nos momentos difíceis ou pelo fogo da paixão. Não é simplesmente apoiar os projetos ou gostar da companhia do outro, apesar da relevância desses para a existência do amor. Revela-se na vontade de se caminhar junto com o outro, conquistando o mundo (ainda que seja com um apartamento pequeno, financiado ou alugado) e resolvendo problemas, sem jogar a responsabilidade para cima, sem culpar o outro pelos fracassos coletivos ou individuais e sem colocar os erros de um como causados pelo outro. Não há dependência e sim um convite que se faz por ser essencial (muito mais do que necessário e infinitamente superior ao útil). Ele passa a existir por OPÇÃO, por ser BOM PARA AMBOS, por estar em outro patamar emocional distante de uma dependência narcísica. Os dois enxergam defeitos e qualidades próprios e do companheiro. Escolhem ficar juntos todos os dias porque é bom, prazeroso e complementar.

Finalizando com Nietzsche, amamos o desejo e não o desejado, ou seja, amamos as sensações que o amor nos produz. Por isto gostamos tanto deste raro chocolate e estamos dispostos a nos lambuzar com toda compota do casamento, esperando que o doce nunca acabe.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O mundo não é maternal

Texto de Martha Medeiros


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Mas quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela. Mero erro de cálculo. Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco. O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso.

O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito. Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba. O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa. O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não para para nos ouvir. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se estrumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo. Mãe é de graça! 

sábado, 27 de agosto de 2016

No Brasil, ler é coisa que se faz por obrigação

Há tempos, assisti a um comercial de TV sobre um produto esportivo, talvez um tênis, cujo mote era a necessidade de "liberar o corpo". O anúncio falava de pessoas "reprimidas", que seriam mais felizes se vivessem ao ar livre usando o produto. Entre estas, mostrava uma moça sentada, lendo um livro, dentro de uma biblioteca o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio. Mensagem subliminar: a leitura é uma chatice, uma obrigação, o contrário de ser livre e feliz.

Uma pesquisa recente do Instituto PróLivro e do Ibope, "Retratos da Leitura no Brasil", citada pelo colunista Antônio Gois, do "Globo", traz dados alarmantes: 44% da população brasileira não têm o hábito de ler livros, e esse número não se alterou nos últimos 12 anos. Apenas 33% dos brasileiros tiveram a influência de alguém para adquirir o gosto pela leitura, quase sempre a mãe o que não é um mal, mas por que não citar igualmente um professor?

Porque, diz a pesquisa, os professores também leem pouco e mal. Embora 84% tenham dito que leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa, a maioria não se lembra do título ou não respondeu, e, quando se lembra, o mais citado é a Bíblia. Sim, não podemos nos esquecer dos seus baixos salários, que os impedem de comprar livros. Mas não é para isto que existem as bibliotecas?

Não no Brasil. Segundo a pesquisa, 75% dos entrevistados associam a biblioteca a um lugar para estudar ou pesquisar (naturalmente, por obrigação), não como um espaço de lazer, para ler por prazer, trocar livros ou fazer amigos. Em 2015, apenas 53% das escolas brasileiras tinham biblioteca ou sala de leitura. Quanto ao Real Gabinete Português de Leitura, um monumento carioca, sua beleza faz dele um cenário requisitado pelos comerciais de TV. Até para veicular mensagens que o degradam e ofendem.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

LLC: A tríade do tempo

Autor: Christian Barbosa
Ano Publicação: 2011
Nota: 8




O terceiro livro do Clube do Livro lá do trabalho foi A Meta. Como já fiz um comentário sobre este no passado, vamos para o quarto livro: A tríade do tempo!

Confesso que conheço o livro a algum tempo, principalmente a metodologia sobre Importante, Urgente e Circunstancial. Aproveitei a oportunidade para ler o livro na integra, agregando o conhecimento precioso sobre a "administração" do tempo (lembrando que não se pode administrar aquilo que não se controla).



O autor é palestrante especialista em gerenciamento de tempo e produtividade, trabalhou como aplicador do Empretec do SEBRAE e programas de PNE (Programação Neurolinguística). Sócio de empresas de treinamento, consultoria e softwares especializada em produtividade. Claro que o livro puxa um pouco de para seu lado, até porque muitos dos exemplos são autobiográficos. Outro ponto é a tentativa de venda dos softwares ("APPs") de suas empresas no quesito gerenciar o tempo. Creio que se eu fosse o autor não faria nada diferente também.
Com relação a minha tríade do tempo estou me policiando. Já estou bem mais no que é Importante, deixando o Urgente para as eventualidades e o Circunstancial para pequenos momentos. Confesso que ainda não estou nos 70%-20%-10%, mas melhorando a cada dia.



LLC: Casos de Sucesso do Pai Rico

Autor: Kim Kiyosaki
Ano Publicação: 2003
Nota: 3





Com o intuito de nos policiarmos em uma meta de leitura mínima, criamos no meu trabalho um Clube do Livro. A ideia é trocar experiência com relação a leitura do mês.
O primeiro livro foi Pai Rico, Pai Pobre. Como já fiz o comentário deste anos atrás, faço o comentário do segundo livro lido no clube: Casos de Sucesso do Pai Rico. Compramos um e aproveitamos para ler o próximo que já estava na mão (conforme capa - Edição 2 livros em 1).
A verdade é que o livro trata muito sobre o mercado americano e na facilidade de se formar um patrimônio com os incentivos de financiamento imobiliário da terra do Tio Sam. Muito longe da realidade brasileira, a sensação que tive após ler o livro foi um misto de incompetência e de realidade muito diversa do meu dia a dia.
Toda leitura tem seu conhecimento. Nos relatos apresentados tudo parece fácil demais, certo ao extremo e superficial em demasia.
O que valeu mesmo foram os comentário no Clube do Livro e agradeço aos seus membros pela oportunidade de caminhar juntos na jornada do conhecimento.

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